Diário de um Tatu Bêbado

Entries for February, 2006

February 5th, 2006

AH BOM...

1)

Marco Aurélio Garcia, professor da Unicamp, é um dos poucos intelectuais restantes do PT. É também assessor especial da Presidência da República para Relações Exteriores e amigo íntimo do presidente Lula. Publicamente, diz que a crise do “Mensalão” não passa de um conluio da direita, etc. Privadamente, diz coisas bem mais interessantes. Os trechos seguintes foram extraídos de um relatório publicado por um think tank de esquerda britânico (www.tni.org). No mesmo relatório há entrevistas com outras figuras da esquerda brasileira, motivo pelo qual recomendo a leitura a quem tenha saco. As partes mais picantes estão destacadas em vermelho(em inglês que eu não tenho paciência para traduzir):

SOBRE A POLÍTICA ECONÔMICA DO GOVERNO LULA

When we won the election, we were confronted with two types of problem: short- to medium term problems, and medium- to long-term problems. The former were the serious threats that the Brazilian economy faced: inflation, increasing debt, enormous vulnerability to foreign forces, economic paralysis, unemployment. The latter were due to the fact that the economy had practically stagnated for 20 years and this had exacerbated inequalities. Most of our voters were worried about these latter problems; a smaller number were concerned about the former. But it was clear that we had to resolve the macro-economic imbalances if we were to be able to govern. It was for this reason that the Lula government took conservative economic measures.

I think the big problem we faced was that we were not very clear on how long we would have to apply these policies. My opinion and the opinion of many people in the government was that this would be a transitional period. But I didn’t have the information to know how long the transition would last.


As the transitional period became longer and longer, there was no attempt to explain that it was a transitional period. On the contrary, the economic team expressed themselves in conservative terms and praised the conservative policies. They are people with historical links to financial circles, to the economic apparatus of previous governments.


 

Balancing the budget, reducing inflation and lessening vulnerability are very, very important. But people did not vote for Lula to do this. People voted for Lula because they wanted major social transformation. So the party should have found a way of carrying out this long-term structural change that I’ve been talking about while also promoting some short-term changes of the kind that society was asking for. But it did not do this, so it lost its character and its credibility and became separated from the social movements.

 

SOBRE A CORRUPÇÃO DA MÁQUINA PARTIDÁRIA

I was Secretary for International Relations for ten years, and a member of the national executive. I never received a salary, because I lived off the salary I earned as a university lecturer. One member of a left-wing tendency, who is also a university lecturer, received a salary of R$7,200 a month from the party. That is more than I receive today in my current job.


Even before we were elected, money became very easy to come by. All these leaders had well-paid secretaries, with telephones. We had a luxurious headquarters, here in Brasília, 14 cars available for national leaders, and so on. It was insane.

There was a lot of money available. Why did these things occur? Because the party stopped focusing on politics, in the real sense of the word, and began to be more concerned with building the party machine.


The party president, Genoíno, is not a perverse bureaucrat. He is a decent man. He has a history. He is a respectable man. But he was a weak political leader and this weakness allowed the bureaucracy to grow.

In my opinion it has been more or less clear since February or March [2005] that the party leadership is incapable of handling the situation.


The two most serious issues – and they are very serious issues – are the following: the reckless way in which the party leadership handled the situation and its complete autonomy from both the majority and minority tendencies within the party; and the idea that the party could build a machine within the structure of government, not only to take money from the state, but also to use the power of the state to extract resources from the business world.

Many people within the majority tendency were clearly negligent and careless. I consider myself to be one of them.


I’m a great personal friend of Zé Dirceu, and I think he is a very important figure in the party’s history. But he bears a great deal of responsibility for what happened. As far as I am aware, he is only charged with being politically responsible, not with benefiting personally. There may be other things, but I can only talk about what I know.

I will always remember a slogan that I saw at a demonstration a few days before the overthrow of the Allende government in Chile: ‘It’s a shit government, but it’s our government!’ I can say the same thing about the party: it has a shit leadership, but it is our party.


Ah bom…

********************************************************
2)

No PSDB, ultimamente, tem havido aquela febre dos pré-candidatos se declarando figuras nacionais. Alckmin, por exemplo, já declarou ter raízes bainanas (“Eu sou baiano!”) e mineiras. Mais um pouco e o pai dele terá nascido no Oiapoque e a mãe, no Chuí.

Um aspone qualquer andou conversando com FFHH sobre isso, e lembrou que o então candidato também tinha declarado ter raízes africanas. Sua Majestade perdeu o trono, mas não a pose. Ao diálogo:

ASPONE: O sr. também fez isso. Eu me lembro que o sr. disse que tinha o pé na cozinha...


FFHH: Francesa, naturalmente...

Ah bom...

 

Posted by Penin at 05:27 PM | 1 Artefatos

February 6th, 2006

TEMPOS SELVAGENS

Então.

Minha mãe viajou por 20 dias. Foi com uma amiga e a filha para a França. E eu fiquei em casa com meu pai e meu irmão.

Eu e meu irmão nos viramos, em termos de cozinha (pra ser honesto, mais ele do que eu, mas vá lá). Quanto ao meu pai... bem... digamos que Homer Simpson, perto dele, até que é jeitoso.

Pra piorar, a Maria ficou sem vir na primeira semana, porque a mãe dela morreu.

Resultado: foram três semanas de vida semi-selvagem. Eu almoçava em casa e, no jantar, comia só um iogurte pra não dar trabalho (foi bom, fiquei magro). Meu irmão, que já não é muito caseiro, passou a apenas pernoitar, ou nem isso. Com isso, a pilha de pratos, talheres e copos na pia se devia quase exclusivamente ao almoço e à janta do meu pai.

Daí as coisas começaram a faltar. E meu pai resolveu fazer feira.

Ele foi até bem, mas o problema é que, quando ele vê algo de que gosta, compra de monte.

Foi o caso dos tomates. Ele comprou uma montanha de tomates. Mesmo. Tanto que, quando eu e o Gui o criticamos por isso, ele quis provar que estava certo: no jantar, comeu nove tomates. Nove. Além de todo o resto, é claro.

Também foi o caso das uvas. Em três semanas foram consumidas duas caixas. Digamos, meia caixa entre eu e meu irmão e o resto pelo meu pai.

Teve também os mamões. Ainda outro dia, ele voltou da feira com duas caixas de mamão. Com seis mamões cada. De novo, nós reclamamos. E, de novo, ele comeu um mamão inteiro no jantar, só pra mostrar que estava certo.

Mas em uma coisa ele acertou: minha mãe voltou ontem. Meu pai quis fazer um agrado e foi à floricultura. Resultado: quando minha mãe entrou em casa, ficou muito feliz - e também um pouco apreensiva, porque a sala tem mais flores do que a Amazônia na primavera.

Mas ela gostou. Ele acertou.

Homers também amam...

Posted by Penin at 04:40 PM | 1 Artefatos

February 15th, 2006

ISSO É BOM, ISSO É RUIM

Durante uma luta de judô, bati a cabeça.

Isso é ruim.

Resolvi proteger.

Isso é bom.

Daí caíram em cima do meu ombro com tudo, causando uma dor lancinante, profunda e aguda.

Isso é ruim.

Mas pelo menos o meu braço continuou se mexendo.

Isso é bom.

Só que a dor não passou, e isso faz mais de um mês. E o braço começou a estalar.

Isso é péssimo.

Fui ao médico achando que tinha deslocado algo, quebrado, sei lá. Mas não deu nada. Foi só uma inflamação no ligamento, mesmo.

Isso é bom.

O médico me passou uns remédios e disse para eu só voltar ao judô depois que a dor passar completamente.

Isso é ruim e, seja como for, eu não vou seguir essa recomendação nem a pau. Vou fazer os exercícios e o treino, só não vou lutar.

E que se dane.

(Isso pode até ser ruim de novo, mas é a minha decisão e ponto. Agora com licença que eu vou pro judô.) 

Posted by Penin at 04:58 PM | 1 Artefatos

February 17th, 2006

TÁ NO INFERNO, ABRAÇA O DIABO...

Fui no judô.

Tivemos uma visita mais ou menos ilustre. Trata-se de um garoto (mesmo, hoje tem 15 anos) que lutava com a gente e que, no ano passado, largou a nossa academia e foi treinar seriamente, para campeonato, panamericano, olimpíada, esses bichos.

Quando eu o conheci ele tinha 13 anos e era faixa verde. Hoje ele é faixa marrom. E pesa 80kg, só músculos.

Bom, por causa disso resolvemos fazer bonito e treinar sério. Não que a gente não treine sério sempre, mas digamos que o sensei foi particularmente cruel e ninguém reclamou - pelo contrário, todo mundo se esforçou.

Na hora da luta, o sensei lutou com o garoto (luta muito bonita, que serviu pra gente ver como o sensei bota as pessoas em seus devidos lugares quando quer). Eu fiquei quieto, pra não ter que lutar.

Aí uma garota (faixa roxa) que sempre luta comigo me chamou pra lutar, dizendo que ela ia pegar leve porque sabia que eu estava mal do braço.

Realmente ela pegou leve. Tanto que a luta ficou travada - eu não a derrubava, ela não me derrubava. Em certo momento, ela ficou p da vida e resolveu partir pra cima. E me derrubou. Em cima do braço machucado.

Curiosamente, o braço nem doeu tanto. Só deu um estalo esquisito. Conclusão: ou alguma coisa voltou pro lugar, ou o osso esfarelou de vez...

************

"Daí eu parei de lutar".

Esta seria a frase que eu deveria escrever agora. Mas não seria verdade.

Adivinhe quem me convidou pra lutar logo em seguida?

Se você chutou "o garoto de faixa marrom", acertou.

E eu lutei?

Claro, claro que eu lutei. Eu sou louco mesmo...

********************

E sim. Daqui a pouco lá vou eu de novo, tentar não quebrar o meu braço mais ainda...

Posted by Penin at 03:14 PM | 2 Artefatos

DO BLOG DO JOSIAS DE SOUSA

Até FHC e Lula admitem caixa dois de Furnas

O caixa dois de Furnas tornou-se um segredo de polichinelo. Entre quatro paredes, longe de câmeras e microfones, onze em cada dez políticos admitem que a estatal despejou verbas clandestinas em campanhas eleitorais. O fato é reconhecido inclusive pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente Lula.
 
Todos duvidam da autenticidade da chamada “lista de Furnas”, aquelas cinco páginas de papel que anotam o nome de 156 políticos supostamente beneficiados com R$ 40 milhões de má origem. Mas ninguém ousa negar que, por trás da lista, esconde-se um conhecido operador de verbas eleitorais espúrias: Dimas Toledo (na foto).
 
Ex-diretor de Furnas, Toledo operou durante o governo de FHC. Herdado pela gestão Lula, continuou operando até meados de 2005. Só foi afastado porque o escândalo do mensalão o arrancou da zona de sombras em que atuava. Sua exposição forçou Lula a demiti-lo.
 
FHC reconheceu a pelo menos dois interlocutores que sabia da atividade coletora desenvolvida por Dimas em Furnas. Revelou que manteve o funcionário na estatal sobretudo graças a pedidos que recebeu de dois políticos mineiros: o governador tucano Aécio Neves e o ex-presidente Itamar Franco. O ex-presidente mencionou na conversa pelo menos mais um nome, o do ex-deputado mineiro Odelmo Leão.
 
Também Lula, em diálogo privado, disse ter recebido no início de sua gestão pressões de Aécio e de Itamar em favor da manutenção de Dimas. Sobrevivente da era tucana, o então diretor de Furnas incluiu na sua agenda nomes de dirigentes do PT. Despachou inúmeras vezes com Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, nas dependências de Furnas.
 
Há duas semanas, embalados pela perspectiva de arrastar o tucanato para o centro da crise política, parlamentares petistas pressionaram o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), para pôr em votação um requerimento de convocação de Dimas. Não viam a hora de inquiri-lo sobre a “lista de Furnas.”
 
Delcídio concordou. Mas fez um aviso: “É bom vocês não esquecerem que o cara não operou só para o PSDB. Ele operou para o PT também”, disse Delcídio, segundo apurou o repórter com um dos interlocutores do presidente da CPI.
 
Logo que a “lista de Furnas” ganhou ares de encrenca, um preocupado Aécio Neves procurou Márcio Thomaz Bastos. Queria que o ministro da Justiça, superior hierárquico da Polícia Federal, que investiga o caso, atestasse a falsidade da lista. Depois, Aécio disse a colegas de partido que Bastos lhe dissera que a lista era mesmo falsa.
 

O ministro conta outra história. Disse, em diálogo com um colega de ministério, que apenas procurou tranqüilizar Aécio. Afirmou ao governador que, pessoalmente, até achava que o papelório poderia ser falso. Mas não poderia dizer nada conclusivo até que as investigações fossem concluídas.

Nos gabinetes do Congresso, o caixa dois de Furnas virou tema obrigatório. Em encontro com colegas de partido, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse, por exemplo, que não há dúvida de que a estatal foi convertida num centro de coleta de fundos partidários. Sustenta, porém, que a “lista de Furnas”, com seus 156 nomes, é falsa. “Os culpados não passam de quatro ou cinco”, diz ACM.  
 

O repórter conversou com uma autoridade da PF diretamente envolvida na apuração de Furnas. Contou que, a essa altura, a veracidade da lista importa menos do que se imagina. O documento de autenticidade duvidosa está sendo periciado. Porém, independentemente de ser autêntico ou da falso, a polícia julga já ter colecionado indícios veementes de que, sob Furnas, praticaram-se crimes que, por ora, todos negam.


 

O texto acima foi copiado/colado do blog do Josias de Sousa, colunista da Folha de S. Paulo.

Meu comentário: pronto. Melou de vez. Todo mundo tem rabo preso com todo mundo, todas as CPIs darão em pizza.

De quebra, ponto para Lula. Nenhum candidato tucano poderá, a partir de agora, cobrar ética do barbudo. Nunca puderam, mas iam tentar mesmo assim. Agora não vão mais.

O jeito é votar na Heloísa Helena...

Posted by Penin at 04:31 PM | 1 Artefatos

February 21st, 2006

CHUCHU E ELEIÇÃO

"O Brasil vai crescer pra chuchu"

"Nós vamos ter emprego para chuchu"

"Vai ser um governo que é um chuchuzinho"

Responda rápido: você votaria em um candidato à Presidência com slogans como esses?

Pois esses serão os motes da campanha de Geraldo Alckmin, segundo o próprio - já que ele não consegue se livrar do estigma de "Picolé de Chuchu" que o Zé Simão tão bem bolou.

 Vejam bem: ele quer se livrar do estigma com esses slogans!

Ah, fala sério...

Posted by Penin at 03:17 PM | 1 Artefatos

February 23rd, 2006

CHUCHU E ELEIÇÃO II: SE DÁ PRA PIORAR, PIORA!

Primeiro, a notícia (d'O Globo Online, já que eu não achei o original do Estadão):

SÃO PAULO - Até picolé de chuchu entra no cardápio do governador Geraldo Alckmin, em sua briga com José Serra para ser o candidato do PSDB à presidência pelo PSDB. Nesta segunda-feira o governador gravou uma participação no programa "Todo Seu", apresentado pelo cantor Ronnie Von na TV Gazeta, e experimentou a sobremesa inusitada preparada pela chef Mara Salles, enquanto falava de política. O programa vai ao ar nesta quarta-feira, das 22h às 24h.

Na receita do picolé de chuchu, desenvolvida por Mara Salles, dona de um restaurante de São Paulo, o legume deve ser ralado com casca e tudo, com a adição de uma lasquinha de limão e cinco folhas de manjericão. Além de muito, muito doce: duas xícaras de açúcar para menos de duas xícaras de água.

Depois, o comentário:

Em 1945, o brigadeiro Eduardo Gomes foi candidato à Presidência da República. Para ajudar na campanha, uma dona-de-casa inventou um doce e deu-lhe o nome de "doce do brigadeiro".

Eduardo Gomes perdeu as eleições para outro militar, o general Eurico Gaspar Dutra, apoiado pelo então presidente Getúlio Vargas. Mas o doce que se chama "brigadeiro" é sucesso até hoje, e está presente em toda festinha de criança que se preze (e em muitas festas adultas também).

Tudo isso para dizer que a chance de Alckmin se tornar presidente é remotíssima (até porque o PSDB está enrolando, mas vai escolher o Serra); meu medo, porém, é que esse diabo de "picolé de chuchu" se popularize e ganhe o nome do governador-candidato.

Já imaginaram daqui a alguns anos? "Ah, acho que vou chupar um Alckmin..."

Bleeeeargh!!!


Em tempo - deixemos a função de "chupador de Alckmin" às únicas duas pessoas que se importam com o assunto: a primeira-dama, dona Lu Alckmin, e o secretário Chalita...

Posted by Penin at 12:39 AM | Não escavado

TEM COISAS (TUM!) QUE SÓ A USP FAZ CONTRA VOCÊ!

No ano passado, defendi meu mestrado (defendi mesmo, com direito a chutes e pontapés retóricos). Após aprovado, requeri o diploma.

Existem dois tipos de diploma. Um é grátis, mas parece uma folha de papel sulfite mal impressa (na verdade, não parece, é!) e demora quase um ano para chegar porque precisa da assinatura do reitor. O outro custa uma pequena fortuna, vem em um pergaminho legal com letras góticas e demora mais tempo ainda, sei lá por quê.

Optei pelo segundo, já que só se faz mestrado uma vez na vida (ainda mais em Arqueologia).

Estava esperando até hoje. Quando cheguei ao trabalho, fui abordado pela secretária do museu, perguntando se eu tinha visto meus e-mails hoje. Eu disse que não. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos o seguinte:

SECRETÁRIA - Então, é que eu preciso de uma cópia da sua certidão de nascimento.

EU - Pra quê??? Vocês já não têm todos os dados?

SECRETÁRIA - Sim, mas a reitoria pediu.

EU - Por que?

SECRETÁRIA - É que em alguns documentos da USP o seu nome (André) está grafado com acento; em outros, sem. E eles precisam saber se tem ou não, por causa do diploma.

EU - Mas é óbvio que tem!!!

SECRETÁRIA - É, mas alguém deve ter digitado errado.

EU - E eu tenho culpa? Eu estou no sistema há mais de dez anos!

SECRETÁRIA - Pra falar a verdade, acho que no seu RG o nome está sem acento. Porque é dali que o sistema USP copiou da primeira vez.

EU - Que absurdo! É lógico que tem acento! Quer ver? Vou mostrar...

[eu abro a carteira e pego a OAB que uso de RG, já que o original está preservado em câmara hiperbárica para não se desintegrar, lá em casa. E descubro que na OAB o meu nome está sem acento.]

EU - Er... é que o meu RG é velho, então eu uso isso aqui... e a OAB é uma merda, você sabe...

SECRETÁRIA [com sorriso irônico] - É, mas quando você entrou no sistema USP você não tinha OAB. Seu RG deve estar sem acento, mesmo.

EU [com olhar incrédulo] - Não é possível...

SECRETÁRIA - É sim. Erro de digitação. É por isso que a reitoria precisa da sua certidão de nascimento. Lá deve estar escrito certo.

EU [já achando que a partir de amanhã meu nome será outro] - Tá, eu trago amanhã...


 

 

 

A culpa é da USP, do Instituto de Identificação ou do cartório que me registrou?

Sei lá. Só sei que Kafka não faria melhor... 

Posted by Penin at 04:25 PM | Não escavado

February 27th, 2006

DOIS POSTS RÁPIDOS

PRIMEIRO

Descobri, através dos meus amigos do Lado Negro da Força, um bar novo. Voltei ao bar quinta passada, com os amigos normais mesmo (o Pequeno Físico e a Loira).

O bar chama-se Asterix, fica em uma travessa da Paulista e tem cervejas inimaginavelmente deliciosas, além de uma porção de queijo que bate a do Atlanta de longe.

Só é um pouco caro. Mesmo assim, recomendo!

SEGUNDO

Quando eu era moleque, achava que a Revolução ia acontecer, o Comunismo triunfaria e tudo se resolveria.

Na minha pré-adolescência, o sistema soviético e a Cortina de Ferro ruíram, minha família entrou em crise e eu com eles.

Na faculdade, eu ironizava meus colegas "vermelhinhos" porque tentavam racionalizar tudo e se recusavam a ver o óbvio - o capitalismo venceu - não importa se porque o comunismo tinha falhas ou porque o que se chamava "comunismo" na URSS não era o produto verdadeiro. A História não se importa com esses detalhes.

Ao mesmo tempo, desconfiava dos ex-comunistas convertidos em arautos do neoliberalismo (FFHH et caterva à frente). Estavam tão errados agora como estiveram antes, e agiam assim porque eram teleguiados e não sabiam pensar.

Mas me horrorizei ao ver que o niilismo em que eu havia caído se tornou palco para a refundação da direita - Nelson Ascher, Reinaldo Azevedo, Eduardo Gianetti sendo a fração civilizada; Olavo de Carvalho, a raivosa e babona.

Com o governo Lula sendo o que é, vejo-me novamente apreciando as virtudes purificadoras do ato revolucionário.

O mundo dá voltas...


Se alguém duvida: vá a www.vunet.org/article/viihde/story104.html

É o que eu ando vendo atualmente...

Posted by Penin at 05:15 PM | 1 Artefatos

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