É isso aí, minha gente: já que tem tanta gente se locupletando com o erário público, eu quero a minha parte!
Calma, não é nada do que vocês estão pensando. É só que eu prestei um concurso e, desgraçadamente, passei. Em segundo lugar.
O duro é a burocracia envolvida. Terça passada recebi um telegrama que dizia que eu tinha arrumar uma porção de documentos arcanos (coisa de louco, como uma certidão da Justiça Eleitoral dizendo que eu estou quite com as minhas obrigações), xerocar e levar até o tal órgão público.
Só que haviam três prazos. Um de cinco dias úteis, logo no começo do telegrama; outro até 11 de abril, no final do texto; e um terceiro de 10 a 25 de abril, no site do órgão.
Como não sou besta, passei a quarta correndo atrás dos documentos (cheguei até a cortar o cabelo por causa das fotos 3x4. É que na primeira versão eu parecia um terrorista da Al Qaeda...); assim que reuni tudo, corri até o tal órgão para entregar.
A funcionária se recusou a receber:
ELA: É que o prazo certo é o do site, e eu nem tenho como protocolar isso, já que não veio ordem de Brasília.
EU: Tudo bem, mas o que é que eu faço agora?
ELA: Escreve um email para o endereço que está no site com conformação de recebimento. E olha, aqui está o telefone de Brasília. Se você quiser, pode tentar. Eu tentei hoje o dia todo e o telefone está ocupado...
Fiz o que a moça mandou. Escrevi um e-mail educado, mas meio nervoso, e hoje de manhã liguei para Brasília. Lá pela centésima tentativa, consegui falar. Expliquei ao senhor o que havia acontecido e ele, com aquela voz de eu-sou-a-autoridade-que-manda-nesse-galinheiro, disse:
ELE: Pode deixar. Estou ligando para a regional de São Paulo. Eles vão receber os seus documentos. Pode ir pra lá.
E lá fui eu de novo. Desta vez, esperei meia hora para ser atentido, provavelmente porque a "ligação de Brasília" estava acontecendo naquele instante. Depois disso, a moça desceu e, com um protocolo que apareceu da noite para o dia (quase que literalmente) recebeu a papelada toda.
No meio dessa papelada estavam cópias dos meus dois diplomas universitários (História e Direito). Quando ela viu que eu era bacharel em Direito, os olhos cresceram:
ELA: Você é bacharel em Direito e mestre em Arqueologia? Que ótimo! Você vai ter que dominar toda a legislação sobre o assunto!
E por aí continuou, chamando inclusive a minha futura chefe, atual responsável pelo setor, para um papo.
Parece que eu me dei bem. Mas não tem jeito: o Direito é uma sarna que me persegue...
Ó Senhor, por que diabos vim a fazer essa faculdade? Por que não qualquer outra coisa? Balé, Aramaico, qualquer coisa???
Droooga...
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