Diário de um Tatu Bêbado

Entries for May, 2006

May 3rd, 2006

UM POST SOBRE FALTA DE ASSUNTO

Tentativa número um: escrever um post engraçado sobre terem me coagido a ir nossa ida à boate gay. Deu errado porque os principais tópicos já foram levantados pelo post da Gabi e/ou na feijoada que ocorreu dias depois.

Tentativa número dois: escrever um post menos engraçado e mais reflexivo sobre a feijoada na casa da Gabi (não a dábliudábliudábliupontotabulaspontocombarratilcasadagabi, mas sim a própria, da mesma. Entenderam?). Também não deu certo, ou porque é estranho escrever coisas que provavelmente foram vivenciadas por quem vai ler (boa parte, ao menos) ou porque no momento estou morto de sono e minha memória está capenga.

Tentativa número três: escrever um post sobre a greve de fome do Garotinho - o que não deu certo porque a realidade é muito mais bizarra do que qualquer coisa que eu possa dizer - ou sobre a nacionalização das empresas de gás na Bolívia - também não daria certo porque eu tenho certeza de que as coisas ficarão muito mais engraçadas bem piores e mais graves dentro de poucos dias (e aí sim haverá farto material para escrever).

Sobra a Arqueologia, mas nem sobre isso me disponho a escrever porque tenho dois relatórios para entregar e o prazo está no fim a situação não anda nada engraçada para o meu lado.

A solução é escrever um post sobre minha inabilidade de escrever qualquer coisa decente.

Ei-lo.

 


 

Mas me lembrei da resposta  a uma pergunta interessante que foi feita na segunda da feijoada: com qual personagem e/ou cena de filme as pessoas se identificavam?

Eu não tinha uma resposta apropriada no momento, mas me recordei. Meu personagem não é herói de filme algum, e sim vilão em uma peça de Shakespeare. 

 Seu nome é Ricardo III. Qualquer dúvida, basta ver meu perfil no Orkut, que não muda desde que lá entrei, há mais de dois anos*.

*"Ei, peraí", dirá o leitor astuto, "mas esse cara é um vilão terrível!" É, pois é. "Por que diabos você o escolheu?" Ah, caro leitor, a pergunta original não incluía justificativa. Certo?

Posted by Penin at 03:13 AM | 3 Artefatos

May 6th, 2006

TÁ NOMEADO! TÁ TUDO NOMEADO!

Já sou barnabé. Saiu ontem minha nomeação no Diário Oficial. Agora tenho trinta dias para tomar posse do cargo e, a partir da posse, mais quinze dias para entrar em exercício - isto é, começar a trabalhar.

Já comprei o blazer para pendurar na cadeira, e estou providenciando uma canequinha que ficará permanentemente cheia de café frio até a metade. Minha mesa terá também um post-it em que sempre estará escrito "Volto Logo" .

Não precisarei nem ir buscar o contracheque no dia 5, já que hoje em dia o sistema é informatizado...

 


 

Brincadeira. Nos três primeiros anos, estarei em estágio probatório, durante o qual ainda não há estabilidade no emprego. Trocando em miúdos, serei demissível.

Quando eu estiver no fim do estágio probatório, terei acabado de defender o doutorado, o que significa que provavelmente estarei prestando concurso para lecionar em alguma universidade pública. E, se passar, começa tudo de novo...

Posted by Penin at 04:49 PM | 4 Artefatos

May 7th, 2006

UM COMENTARIOZINHO RÁPIDO

Aos corinthianos que lêem este blog, um breve comentário:

3x1

Ah, como é bom ser Tricolor... 

Posted by Penin at 08:02 PM | 2 Artefatos

May 10th, 2006

NA CALADA DA NOITE

MSN, ICQ e bichos (?) desse tipo são coisas divertidas. De madrugada, quando estamos meio zonzos de sono, saem coisas muito engraçadas - e de vez em quando, meio perigosas. Como a seguinte, em que eu e a Gabi tramamos seu casamento com Gerson, também conhecido como "O Pequeno Físico":

Gabi diz: Gersinho é pra casar... não fosse a alergia de gatos, o que acaba destruindo nosso amor em potencial.

O Tatu diz: Vou avisar a ele pra curar urgentemente a alergia a gatos.

Gabi diz: isso!

Gabi diz: aí eu o obrigo a se casar comigo

Gabi diz: coitado

Gabi diz: aliás

Gabi diz: imagine os filhos desta união

Gabi diz: físicos abraçadores de árvores

Gabi diz: estranho, muito estranho

O Tatu diz: Franco-ítalo-japoneses? Isso sim é bizarro!

O Tatu diz: Bom, olha, já vou avisando que posso até ser padrinho de casamento, mas nada no mundo me faz vestir fraque, ok?

Gabi diz: vc vai ser o padre do casamento... batina vc veste?

O Tatu diz: Depende. O coroinha é bonitinho? [piada maldosa]

Gabi diz: ai que evil mind vc tem.

Gabi diz: minha nossa... Dona Inês seria minha sogra...

Gabi diz: acho melhor deixar pra lá.

O Tatu diz: Dona Inês é mó legal!

O Tatu diz: Seu Ioshinobu é que dá medo...

Gabi diz: ahhhhh

Gabi diz: Ioshinobu é fofinho!

O Tatu diz: Medo!!!

Gabi diz: ele é fofo!

Gabi diz: *abraço*

Como se vê, o sono faz com que as pessoas digam muita bobagem. Faz também com que se perca a noção do perigo - o que é uma das razões de eu estar postando isso neste momento. Em meu juízo perfeito, isso jamais aconteceria*.

Aliás, se alguma coisa acontecer comigo por causa deste post, as instruções para o funeral são as seguintes: doem os órgãos, cremem o resto e joguem as cinzas no meu sítio em Itatiba. Não quero missa nem flor. Prefiro que no sétimo dia façam uma festa com a roda de samba do meu irmão, e que obriguem meu pai a cantar um tango em minha homenagem (se terminaaaron para mi todas las faaarras/ mi cuerpo enfeeermo no resiste más!). A única música obrigatória é a Internacional Comunista, que pode ser tocada em versão gravada (Internacional em ritmo de samba é dose).

*Além de saber mexer com radiação, Gerson é alguma faixa perigosamente alta de Kung Fu. Gabi é mulher, por isso pode chamá-lo de Gersinho e tecer comentários sobre a fofura alheia impunemente. Eu... bem, eu já dei as instruções sobre o meu funeral, não dei?

Posted by Penin at 03:03 AM | 8 Artefatos

May 12th, 2006

POST ENIGMÁTICO DE SENTIDO UNIVERSAL

Deveria existir algum tipo de trava que não permitisse que bêbados usassem MSN de madrugada.

Nem mesmo bêbados com alguma noção, que postam isso por causa do próprio comportamento.

Posted by Penin at 02:39 AM | 6 Artefatos

TEM JEITO?

Posted by Penin at 02:59 AM | 2 Artefatos

May 17th, 2006

GENEALOGIA DO CRIME

Em 1500 os portugueses aportaram por estas terras. Fundaram uma colônia com base na chacina dos que já viviam por aqui (os indígenas) e na opressão de outros povos (escravidão de africanos). Tudo em prol de uma minoria formada por funcionários da Coroa metropolitana.

Em 1822, o Brasil se tornou independente, mas a estrutura social permaneceu a mesma; só mudou o beneficiário – a saber, a Coroa nacional e as classes sociais (agricultores escravocratas, estratos médios formados por funcionários públicos) que as apoiavam. Quando estas classes sociais foram confrontadas com a Abolição, o regime caiu.

A partir daí tivemos uma República oligárquica. Como não houve pagamento de indenização aos ex-escravos (idéia, dizem, acalentada pela princesa Isabel) nem reforma agrária, a hierarquia social continuava se valendo da miséria como combustível, datando desta época o surgimento das primeiras favelas e da figura muito brasileira da “empregada doméstica”. Tinha-se, pois, o paradoxo de uma República fundada na exclusão de grande parte de seus próprios cidadãos.

Com a Revolução de 1930 e o período varguista, há um princípio de inclusão social das camadas miseráveis urbanas, transformadas em classe operária da industrialização crescente. A despeito das convulsões políticas posteriores, pode-se estender o período até 1964, se for considerado o período em que o capital estatal nacional (do período Vargas) é complementado pela entrada do capital estrangeiro (no período Juscelino Kubitschek). A situação no Brasil rural, porém, permanece inalterada.

Logo após o golpe de 1964, há um esforço dos tecnocratas (pela primeira vez alçados ao poder absoluto) no sentido de sanear as contas do Estado, combalido pelos gastos feitos no período anterior. O principal instrumento utilizado é o arrocho salarial, que comprime os rendimentos de quem é assalariado (isto é, os operários beneficiados no período anterior e a base do funcionalismo público); para compensar, a correção monetária protege os rendimentos das classes média e alta. O abismo entre o andar de cima e o andar de baixo da sociedade brasileira volta a crescer.

Em 1985, com a posse de José Sarney, principia a Nova República. Mais um fator passa a corroer os rendimentos dos pobres sem conta no banco (e logo sem direito à correção monetária): a inflação galopante. Isso, acompanhado do baixo crescimento de do desemprego crescente, faz com que o abismo entre pobres e ricos se torne um canyon.

A partir de 1994, com o Plano Real, a inflação deixa de ser um fator determinante. Agora, o que define a riqueza ou a pobreza é a posse de títulos públicos, corrigidos mensalmente pelas maiores taxas de juros do planeta. Tais taxas são pagas pelo Tesouro Nacional, que para cumprir seus compromissos é obrigado a elevar os impostos. A situação é tal que, em 1º. de janeiro de 1994, a dívida pública correspondia a 26% do PIB; em 2002, fim de mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, que inaugurou o ciclo, a dívida corresponde a 60% do PIB. Lula reduz a dívida a 54% do PIB, mas ao custo de elevar a carga tributária ao inacreditável patamar de 42% da riqueza nacional. O “Bolsa-Família”, maior programa social deste governo, transfere anualmente R$8bi para a base da pirâmide social. O “Bolsa-Juros”, por outro lado, transfere ao topo da mesma pirâmide cerca de R$110bi anuais. O canyon entre ricos e pobres é hoje um verdadeiro golfo.

E depois as pessoas ainda ficam surpresas com a violência do MST e os ataques do PCC. Em um país oligárquico e quase sem mobilidade social (a não ser para baixo) como esse, francamente, minha opinião é: estava demorando...

NOTA: Não, eu não estou justificando o crime. Mas uma situação dessas não brota do nada. E tão cedo não acaba.

Posted by Penin at 12:33 AM | 4 Artefatos

May 18th, 2006

ESTILO X FESTA

Aparentemente, meu blog não será incluí­do na lista da festa d'O Copo Vermelho. Falta só um dia para a festa, e até agora nada.

Provavelmente isso tem a ver com o fato de ser pouco visitado e/ou comentado (em geral pelas mesmas pessoas, aliás).

Atribuo isso ao estilo agridoce do blog, que alterna uma parte humorística com outra dolorosamente séria.

É claro, eu poderia cortar a parte séria e deixar só o humor. Poderia escrever apenas sobre a importância da menstruação da baleia azul na coloração do Mar Vermelho.

Eu poderia. Mas não o farei. A proposta do blog é esta, o estilo é este e mudá-lo seria traí­-lo.

Posso até não ir a festa alguma, mas como já disse em post anterior, estou bem acompanhado (na atitude, pelo menos) - Stendhal e Machado, por exemplo.

E ponto final.

Posted by Penin at 10:58 PM | 6 Artefatos

May 23rd, 2006

SANTA PACIÊNCIA...

Reconheço que não sou lá um cara muito paciente. Particularmente, não tenho o menor saco um pingo de paciência com raciocínios tortos, mal-informados ou simplesmente burros. Quando alguém defende uma grande bobagem e continua a reafirmá-la depois que despejam uma montanha de evidências em contrário, eu perco a elegância e parto para a sátira. Se nem isso funciona, eu perco as estribeiras mesmo. Daí para as vias de fato, é um passo.

Por esse motivo, eu abandonei a grande maioria das comunidades sobre Arqueologia do Orkut. Para cada pessoa com um mínimo de senso (ou curiosidade racional) sobre o assunto, existem cinqüenta cretinos místicos New Age que defendem teses completamente idiotas estapafúrdias. Portanto, seguem abaixo os seguintes esclarecimentos:

  1. Arqueologia não tem nada a ver com dinossauro. Quem  estuda dinossauro é paleontólogo. Arqueólogo estuda as sociedades humanas do passado. Entre os dinossauros e os hominídeos, existem quase 100 milhões de anos de separação;
  2. O fato de existirem pirâmides no Egito e na América Central não significa que os egípcios vieram para a América nem vice-versa. Por sinal, as "pirâmides" da América não têm esse nome e possuem funções inteiramente diferentes das egípcias. Paralelismo arquitetônico não quer dizer nada. Coisas muito mais importantes surgiram independentemente em várias partes do mundo e ninguém questiona (a agricultura apareceu pela primeira vez no meio da Amazônia, e ninguém nunca propôs que os nativos amazônicos foram até o Oriente Médio ensinar a técnica aos habitantes do Crescente Fértil...);
  3. A arte rupestre é outro fenômeno transcultural de escala mundial. O pessoal já pintava as cavernas européias há pelo menos 40 mil anos. Quando chegaram aqui, há 12.500 anos, a técnica já estava mais do que desenvolvida. Ou seja: as inscrições na Pedra do Ingá, ou em qualquer outra parte do Brasil, são produto dos (paleo)índios, e não dos fenícios - ou de qualquer outro povinho mediterrânico sobre os quais nada se sabe;
  4. Por falar em fenícios: pela última vez, eles nunca estiveram aqui! Nem eles, nem os assírios, nem os hunos nem a família da vossa mãe! O único povo europeu que veio para a América antes de Colombo foram os vikings, que aportaram no Canadá brevemente, olharam, não gostaram e pularam fora rapidinho, sem deixar traço nenhum além de um sítio arqueológico meio besta. Aliás, pra ser honesto, vale mais a pena parar de ficar olhando para a Europa e perguntar quando e como, exatamente, os antepassados dos nossos índios chegaram aqui. A "elite branca" (viva Cláudio Lembo!) diz que eles eram atrasados, coisa e tal, mas a verdade é que eles colonizaram esse troço muito antes de a Europa sonhar em fazer barquinho;
  5. Ainda sobre pintura rupestre: elas não são mensagens em uma língua antiga deixadas por sabe lá que povo místico. Claro que transmitem alguma mensagem (aliás, várias, a depender de quem as fez, quando etc.), mas tais mensagens são parte do acervo cultural dos (paleo)indígenas; E não dos malditos fenícios!
  6. El Dorado, Akakor e outras cidades mitológicas que ficariam no meio da Amazônia são isso aí mesmo: mito! Elas não existem! O que aconteceu é que os portugueses e espanhóis encontraram uma selva aparentemente inabitável cheia de gente, e para descrever isso compararam com o que conheciam na Europa: vilas, cidades, castelos;
  7. A Terra não é oca (pergunte a qualquer geólogo ou físico) e a Pedra da Gávea não é um portal para seu centro, mas eu defendo ardorosamente que quem acredita nisso ganhe uma passagem só de ida pra lá;
  8. As linhas de Nazca e outras bizarrices do tipo não são aeroportos de nave espacial ou coisa parecida. Entendam que o fato de as figuras só poderem ser vistas do alto não implica em que quem as fez não soubesse disso. Acreditem, os nativos eram (são) gente muito inteligente, capazes de bolar cultos a divindades inacreditáveis que obrigavam a sociedade a fazer esforços imensos. Aliás, qualquer semelhança entre aquela época e hoje não é mera coincidência. O ser humano é ser humano em qualquer lugar*;
  9. Os deuses não eram astronautas! Eu só aceito que os deuses astecas (ou maias, ou incas...) eram alienígenas que desceram na América e trouxeram consigo a tecnologia das pirâmides (?!) se vocês aceitarem que Moisés, Jesus Cristo e Maomé eram, na verdade, marcianos iguaizinhos àqueles do filme Marte Ataca!, e tudo o que eles fizeram aqui foi pregar uma piada de mau gosto de proporções colossais.

Todas as bobagens acima citadas já foram defendidas por alguém no Orkut. E todos eles merecem ir para Marte, sem oxigênio nem qualquer tipo de suporte vital. Eu detesto a ignorância.

Ah, que ódio.

*Acreditar que só juros de 11% ao mês conseguem segurar a inflação é religião, né não?

Posted by Penin at 05:39 PM | 7 Artefatos

May 25th, 2006

HUMORES

Tem gente que, por alguma razão (ou por razão nenhuma), está sempre feliz.

Tem gente que, pelas mesmas (des)razões acima, está sempre triste.

Tem gente que tem crise depressiva.

Por algum motivo que me escapa, eu não consigo alcançar nenhum desses estados emocionais por muito tempo.

Eu só consigo ficar de mau humor. Muito, mas muito, mas muito mau humor mesmo.

Por sorte, na semana que vem eu viajo.

Posted by Penin at 10:32 PM | 4 Artefatos

May 27th, 2006

PASSOU, PASSOU...

A crise de mau humor passou. Três motivos:

  1. Consegui terminar tudo que tinha a fazer dentro do prazo. Em cima da hora, em uma semana enlouquecedora, mas consegui;
  2. Segunda à noite viajo. Santa Catarina. Lugar lindo, praias lindas (apesar do frio), sítios fantásticos, uma turma muito legal. Etc., etc., etc.
  3. Cerveja deliciosa + amigos loucos = uma noite muito divertida, que desopila o fígado de qualquer "garoto enxaqueca".

Como disse o sábio da classe média, Homer Simpson, "um brinde à cerveja, causa e solução de todos os nossos problemas!"

 

Posted by Penin at 10:48 PM | 4 Artefatos

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