Diário de um Tatu Bêbado

Entries for June, 2006

June 7th, 2006

MAIS TATU, MAIS BÊBADO

Estamos de volta com nossa programação normal. Ou seja, um trabnalho estafante em uma cidade cinzenta.

Bom mesmo é trabalhar lá em Santa Catarina. Como eu acabei de chegar e o mundo está caindo sobre a minha cabeça, não vai dar pra fazer uma descrição detalhada.

O resumo é:

- Trabalhei feito um jumento em sítios gigantescos e incompreensíveis (sendo um deles objeto do meu doutorado). Algo como uma pilha de conchas, artefatos e sepultamentos de 200m de base por 8m de altura. Não faz muito sentido, mas está lá.

Como disse um grande arqueólogo uma vez, a arqueologia se assemelha a um quebra-cabeças inventado pelo diabo, do qual a maior parte das peças estão faltando e você não pode trapacear olhando a tampa da caixa.

- Para compensar, bebi feito um cão. O ponto alto foi uma festa do sábado para o domingo (o domingo foi folga), no qual eu, além de comer churrasco, bebi sabe deus quantos copos de caipirinha, sequei o fundo de um garrafão de pinga e completei tudo com cerveja. Depois fomos todos para a praia... hmm... ver a lua... e o resultado é que eu me lembro vagamente de me encostar numa parede, depois sentar numa duna e depois estar deitado na mesma duna, e uma alma caridosa me puxar pela mão para irmos embora. No dia seguinte acordei tarde (dez e meia) e, para evitar a ressaca, fiz o óbvio: bebi mais cerveja, enquanto via o jogo do Brasil contra a Nova Zelândia.

No cômputo geral, tive uma ressaca de três dias e uma estranha sensação de descolamento do cérebro - que ainda não passou totalmente.

Como diria o mesmo grande arqueólogo, no mesmo livro, a arqueologia poderia ser considerada sinônimo de alcoolismo.

Esse cara sabe do que está falando!

Posted by Penin at 11:42 AM | 4 Artefatos

June 8th, 2006

ATÉ QUERO, MAS NÃO CONSIGO

Cheguei na USP hoje disposto a trabalhar e resolver todas as pendências* que faltam para começar com o pé direito (ou esquerdo, já que sou canhoto e meio comunista) no trabalho novo, na próxima segunda.

Trouxe um monte de documentação, uma caixa de material pra analisar, o laptop da minha mãe, o meu pendrive, o diabo.

E eis que a USP está em greve.

Tenho menos de 15 minutos para ir embora, se não me chutam do laboratório.

Ê povinho...

 

*Essencialmente, um mega relatório científico. Eu tenho até o fim de semana pra terminar. Típico.

Posted by Penin at 04:46 PM | 2 Artefatos

June 10th, 2006

BABANDO E CANTANDO E SEGUINDO A CANÇÃO...

Dia desses estava lendo o jornal e, após ler uma matéria econômica, fiz um comentário que resultou em um diálogo revelador sobre a imagem que meu irmão tem de mim:

 

- Pô, esse artigo do Nassif é quase de esquerda.

- André, o Nassif é de esquerda.

- Se liga. Ele é tucaníssimo. Da esquerda do PSDB, mas tucano.

- Você não tem noção. Lá no IBMEC, onde eu estudo pra prestar a prova de Mestrado, todo mundo é quase nazista.

- Bom, mas também olha a amostra que você escolheu!

- Tudo bem, mas de qualquer forma o “centro” caminhou para a direita.

- Isso é verdade.

- Sabe aquele meu amigo Fulano, que é milionário?

- Sei. O que é que tem?

- Então, lá no IBMEC ele é de esquerda. Aliás, de esquerda não. De extrema-esquerda!

- Ah, tenha dó. Se aquele cara é de extrema-esquerda, eu sou o quê então?

- Você baba.

Posted by Penin at 03:59 PM | Não escavado

June 13th, 2006

POST DE ONTEM

Eu deveria ter postado o texto a seguir ontem, mas a Internet me boicotou. Leiam como se fosse segunda, 12/6:

 

Comecei hoje no trabalho novo. Fiz várias coisas; dentre elas, uma das mais importantes foi assistir aos lances mais emocionantes do jogo Austrália x Japão na Internet (3x1, poxa vida, a Austrália surpreendeu!).

Amanhã, segundo dia de trabalho, haverá jogo do Brasil. Ou seja, o expediente só vai até as 13h00. Quem quiser pode ficar para assistir ao jogo lá mesmo – por sinal, boa parte dos funcionários passou o dia decorando o lugar com bandeiras e fitinhas verde-amarelas.

Quinta-feira é feriado. Ainda não se tem certeza, mas talvez haja ponte ou meio expediente na sexta.

Estou trabalhando no lugar certo!

 


 

Feliz Dia das Crianças.

 

Posted by Penin at 03:06 PM | 1 Artefatos

June 15th, 2006

DEMOCRACIA

Hoje teve a Marcha Para Jesus na avenida Paulista. Três milhões de pessoas.

Sábado haverá a Parada Gay na mesma avenida Paulista. Que deve ter mais ou menos o mesmo tamanho.

Democracia é isso aí: na quinta os representantes do Céu, no sábado os do Inferno.

Ou o contrário.

Defendo o direito à manifestação de ambas e não pertenço a nenhuma delas. Mas que fique claro que, se tivesse que optar por ir em alguma das duas, iria na de sábado.

Como disse uma vez Voltaire: prefiro o Céu pelo clima e o Inferno pelas companhias.

Posted by Penin at 08:06 PM | 2 Artefatos

June 17th, 2006

COMENTÁRIOS CURTOS

PARADA GAY 

Pois é, eu fui. De novo. Ano passado também fui, mas com a família toda. Neste ano fui com amigos. Foi um pouco mais trágico. Mas teve muita coisa engraçada, como um comentário que eu ouvi de alguém que tentava explicar porque alguns carros jogavam pedacinhos de papel prateado para o ar:

- É um triturador de bichas. Eles jogam a bicha, ela morre e vira purpurina. Mas é por uma boa causa.

 


 

BUSSUNDA

O quê, Bussunda morreu? Fala sério, aê...

 


 

CERVEJA

O nome do novo veneno é McGregor. Gravem este nome. 250ml de prazer orgástico. Motivo: é uma cerveja belga à base de malte de whisky escocês. Sacaram?

 


 

COPA

O Brasil sofreu para ganhar de 1x0 da Croácia. A Argentina deu um show de bola e venceu a Sérvia por 6x0. Uns quinze anos atrás, Croácia e Sérvia eram o mesmo país (Iugoslávia), e portanto tinham uma mesma seleção. Não consta que, desde a separação, o futebol de um dos dois tenha piorado ou melhorado muito. Conclusão óbvia: a Argentina está batendo um bolão. Já o Brasil...

 

Posted by Penin at 08:09 PM | 6 Artefatos

June 22nd, 2006

A COPA OU A VIDA

A COPA

Eu adoro a Copa. Eu desejo muito que o Brasil chegue até a final. Hein, se eu gosto de futebol? Não muito. Mas a época da Copa é uma delícia: ontem me avisaram para nem ir trabalhar hoje que não ia valer a pena.

Viram como eu gosto de Copa?


 

A VIDA

Terça passada eu, Gabi e Thiko nos encontramos no templo da Perdição Asterix e conversamos sobre vários assuntos. Várias coisas engraçadas foram ditas, muitos planos maléficos foram feitos, mas eu não mencionarei nenhum deles porque a Gabi vai retaliar no blog dela eu sou um cara muito bonzinho.

Descobrimos muitas coisas uns dos outros: que alguns de nós têm fixação por bobes, que outros estão a fim de nadar pelados, que vir de boa família não é garantia de bom comportamento.

E mais não digo, para não me comprometer ninguém.

Posted by Penin at 03:47 PM | 2 Artefatos

PROPAGANDA

ATENÇÃO, ATENÇÃO!

Criada nova comunidade no Orkut (dã) em homenagem a nossa querida amiga Gabi. Todos os amigos e leitores de seu blog estão forçados coagidos empurrados convidados a entrar.

Atenciosamente,

o criador

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=15723819

Posted by Penin at 06:28 PM | 8 Artefatos

June 24th, 2006

POST SEM SENTIDO

Em holandês, a palavra "também" se escreve "ook".

Só entende a graça disso quem lê Terry Pratchett.

 


 

Para quem está procurando um emprego no ramo corporativo, o link abaixo é uma oportunidade ótima. Especialmente para aqueles que não fazem a mínima idéia de como se trabalha (em uma corporação ou em qualquer outro lugar). Recomenda-se que seja lido o site todo, inclusive os links sobre clientes, estratégias, soluções, idéias etc.

 www.huhcorp.com

 

Posted by Penin at 10:53 PM | Não escavado

June 27th, 2006

A PÁTRIA E AS CHUTEIRAS

A frase feita reza que, a cada Copa do Mundo, tem-se o fenômeno da "Pátria de Chuteiras". O conceito, de forma pedestre, explicita a idéia de que, de tempos em tempos (mais precisamente, a cada quatro anos, ou seja, a cada Copa), os brasileiros são acometidos pela febre futebolística.

É uma meia-verdade. Não pela febre, que realmente ocorre com mais intensidade do que normalmente (afinal, fora das copas ela aparece sob a forma da torcida pelos times de cada um), mas pela parte da pátria.

Alguns teóricos da questão da identidade - Pierre Bourdieu à frente, salvo engano - defendem que alguém só é algo por oposição a outrem. Isto é, eu sou paulistano por oposição ao restante dos paulistas; paulista por oposição aos de outros estados (cariocas, gaúchos, baianos etc.); brasileiro por oposição a argentinos, americanos e outros.

Aí é que está: o único momento em que há a formação de uma identidade coletiva entre aqueles que são, no restante do tempo, uma massa amorfa de interesses regionais, paroquiais ou de outra natureza, é durante a Copa. A Copa do Mundo é o momento par excellence da expressão da identidade nacional, do vínculo coletivo patriótico moldado por oposição aos "inimigos" - isto é, às seleções adversárias.

No restante do tempo, fazemos pouco de nossos símbolos nacionais, desconfiamos (e freqüentemente roubamos) do Estado Nacional, desprezamos e pisoteamos nossas próprias leis, ignoramos nossa História, fazemos pouco de nosso futuro.

Podem reparar: reclamamos pouquíssimo de corrupção e fazemos ainda menos a respeito (está aí o Lula, prestes a ser reeleito, como testemunha e exemplo de minha tese), mas espumamos de ódio se nosso time de futebol perder para o Corinthians time que mais detestamos. Nós somos muito mais são-paulinos, corinthianos, palmeirenses etc. do que brasileiros. É como se fôssemos de nossos times por opção (ou tradição familiar, ou coisa que o valha) e brasileiros por contingência.

O mesmo raciocínio vale para esferas fora do futebol: religião, etnia, opção sexual, preferência musical sempre contam muito mais na formação identitária do que a questão nacional (e mesmo regional, se excluirmos o Rio Grande do Sul do cálculo).

Em resumo: só somos verdadeiramente uma Nação quando torcemos pela Seleção. Na falta de um projeto nacional, o futebol nos conforta e estimula. Mais ainda, o futebol nos redime: somos o quintal dos Estados Unidos, mas vencê-los no futebol é baba - e isso é o que importa, não é mesmo? Os japoneses patentearam meia Amazônia, mas aquele 4x1 é inesquecível. Os ingleses nos dominaram absolutamente durante a segunda metade do século XIX e primeira do XX, mas - vitória suprema - somos campeões incontestes no esporte que se diz bretão. 

Não somos a "Pátria de Chuteiras". Vestimos, isto sim, as "Chuteiras da Pátria".

Posted by Penin at 08:21 PM | 4 Artefatos

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